Como calcular o custo efetivo total (CET) de um crédito pessoal?
Você pesquisou, comparou e achou uma oferta com “juros de apenas 5% ao mês”. Parece ótimo, mas na hora de assinar, a parcela vem maior do que o esperado. O que aconteceu? Provavelmente, o custo real do empréstimo não estava naquela taxa de juros, e sim no Custo Efetivo Total (CET).
Entender o CET é o que separa quem contrata crédito com consciência de quem descobre o preço só depois de assinar. Neste guia, você vai aprender o que é, como calcular passo a passo e como usar esse número para escolher a melhor proposta.
O que é o CET?
O Custo Efetivo Total é o percentual que representa tudo o que você paga em um empréstimo, e não apenas os juros. Ele soma:
- Juros do contrato;
- IOF (imposto sobre operações financeiras);
- Tarifas cobradas na contratação, como a tarifa de cadastro, quando permitida;
- Seguros incluídos na operação, como o seguro prestamista;
- Outras despesas previstas no contrato.
Por regra do Conselho Monetário Nacional, as instituições financeiras são obrigadas a informar o CET em percentual ao ano antes da contratação. Ele deve constar na proposta e no contrato. Se a oferta não mostra esse número, peça por escrito.
Qual a diferença entre taxa de juros e CET?
A taxa de juros mostra só o “preço do dinheiro”. O CET mostra o preço total da operação. Por isso, ele quase sempre é maior que a taxa nominal.
Um bom hábito: nunca compare propostas só pela taxa de juros. Uma oferta com juros menores e vários seguros embutidos pode custar mais que outra com juros um pouco maiores e sem extras.
Fórmula do CET
Matematicamente, o CET é a taxa que iguala o valor que você realmente recebeu ao valor presente de todas as parcelas que vai pagar:
Valor líquido recebido = soma de [parcela ÷ (1 + CET)^n], onde n é o número de cada parcela (1, 2, 3…).
Na prática, você não precisa resolver isso à mão. Existem três caminhos simples: usar a função TAXA de uma planilha, uma calculadora financeira ou a Calculadora do Cidadão do Banco Central (órgão regulador do sistema financeiro).
Passo a passo para calcular o CET
- Some o que você realmente recebe. Descontadas as tarifas cobradas no ato, esse é o valor líquido liberado na sua conta.
- Anote o valor da parcela e o número de parcelas.
- Inclua todos os custos que aparecem no contrato: IOF, seguro e tarifas.
- Use a função TAXA em uma planilha:
=TAXA(nº de parcelas; -parcela; valor líquido recebido). - Converta para taxa anual, se quiser comparar com o CET informado no contrato:
(1 + taxa mensal)^12 − 1.
Exemplo prático com números
Vamos a um caso realista. Você quer R$ 5.000 em 12 parcelas, e a proposta tem juros de 5% ao mês.
Nessa simulação ilustrativa, o IOF é de aproximadamente R$ 100 e foi incluído no financiamento. Assim, o valor financiado sobe para R$ 5.100.
- Parcela: cerca de R$ 575;
- Total pago em 12 meses: cerca de R$ 6.905;
- Você recebeu: R$ 5.000.
Agora aplicamos a função TAXA: =TAXA(12; -575,4; 5000). O resultado é aproximadamente 5,35% ao mês, ou cerca de 86,9% ao ano.
Veja a diferença. Os juros anunciados de 5% ao mês equivalem a cerca de 79,6% ao ano, enquanto o CET chega a quase 87% ao ano. Essa distância é o custo do IOF e de eventuais extras. Os valores são estimativas para fins de aprendizado, e o cálculo real depende do IOF vigente, da data de cada parcela e das condições do contrato.
E se houver seguro ou tarifa? O cálculo muda?
Sim, e para pior. Suponha que a mesma proposta inclua um seguro de R$ 250 embutido no valor financiado. A parcela sobe e o CET também, porque você continua recebendo os mesmos R$ 5.000, mas paga mais por eles.
Por isso, atenção a este ponto: o seguro prestamista é facultativo. A contratação obrigatória, como condição para liberar o crédito, é considerada prática abusiva (venda casada) pelo Código de Defesa do Consumidor. Você pode recusar e pedir a proposta sem ele.
Como está o mercado de crédito pessoal em 2026?
Para ter uma referência, o Banco Central divulga as taxas médias praticadas no mercado. Em julho de 2026, a média do crédito pessoal não consignado ficou em torno de 6,4% ao mês, o equivalente a cerca de 111% ao ano, segundo dados divulgados. Outros levantamentos apontam médias na casa de 8% a 8,7% ao mês, dependendo da fonte e do período. Essa diferença acontece porque as pesquisas usam critérios distintos, como média ponderada, mediana ou ranking por instituição.
O que isso significa para você? Que o CET da sua proposta deve ser comparado com essas médias. Se estiver muito acima, negocie ou procure outras opções. E lembre-se de que o crédito consignado costuma ter taxas bem menores que o pessoal sem garantia, caso você tenha acesso a ele. Confirme sempre os números vigentes nos canais oficiais, pois eles mudam mensalmente.
Como usar o CET para escolher melhor
- Compare o CET, não a parcela. Uma parcela menor em prazo longo pode custar muito mais no total.
- Peça pelo menos três propostas com o mesmo valor e o mesmo prazo.
- Simule prazos diferentes. Reduzir o número de parcelas quase sempre diminui o custo total.
- Cheque o valor total a pagar. Multiplique a parcela pelo número de meses e compare com o que recebeu.
- Leia o contrato antes de assinar, especialmente a parte de tarifas e seguros.
- Considere a amortização antecipada. Você tem direito a pagar parcelas antes do prazo com desconto proporcional dos juros.
Erros comuns ao calcular o CET
- Ignorar o IOF, que é cobrado em praticamente todo crédito para pessoa física.
- Considerar o valor contratado, e não o valor líquido efetivamente recebido.
- Comparar CET mensal com CET anual sem converter.
- Esquecer que parcelas com datas diferentes mudam o resultado.
- Deixar de incluir seguros ou tarifas cobrados de forma “escondida” no financiamento.
Perguntas frequentes sobre o CET
O que significa CET?
Custo Efetivo Total, o percentual que reúne juros, impostos, tarifas e demais encargos do empréstimo.
O CET é obrigatório?
Sim. As instituições financeiras precisam informá-lo em percentual ao ano antes da contratação e no contrato.
Qual é a diferença entre CET e taxa de juros?
A taxa de juros considera apenas a remuneração do dinheiro. O CET soma também impostos, tarifas e seguros.
Como calcular o CET no celular ou no computador?
Use a função TAXA de uma planilha eletrônica ou a Calculadora do Cidadão do Banco Central.
O CET pode ser igual à taxa de juros?
É raro. Como o IOF incide na maioria das operações de pessoa física, o CET costuma ser maior.
Qual é um bom CET para crédito pessoal?
Aquele que fica abaixo da média de mercado para o seu perfil. Compare com as taxas médias divulgadas pelo órgão regulador.
Posso recusar o seguro embutido no empréstimo?
Sim. O seguro é opcional, e exigir a contratação para liberar o crédito é irregular.
Quitar antes reduz o CET?
Reduz o total de juros que você paga, porque a lei garante desconto proporcional na antecipação de parcelas.
Conclusão
O CET é a “etiqueta de preço” verdadeira do crédito. Saber calculá-lo, ou pelo menos exigi-lo e compará-lo, protege seu bolso de juros disfarçados e de cobranças desnecessárias. Antes de fechar qualquer contrato, faça a simulação, compare o CET entre as propostas, revise o valor total a pagar e só então decida.
Aviso: conteúdo informativo, sem substituir orientação financeira personalizada. Os valores do exemplo são ilustrativos, e taxas, IOF e regras podem mudar. Confirme as condições vigentes nos canais oficiais e no contrato antes de assinar.